O Café Nerd assistiu a um dos clássicos das comédias românticas, e a experiência surpreendeu não exatamente pelos motivos esperados.
Em junho a minha ideia era assistir quatro filmes românticos. Só consegui assistir um, demorei um mês pra terminar Um Lugar Chamado Notting Hill, e tenho sentimentos bem divididos sobre ele. Tudo começou com essa notícia que saiu aqui no Café e me fez pensar: "é, acho que seria legal assistir esse filme e finalmente entender o motivo de falarem tanto dele." A minha conclusão é que eu não entendi porque falam tanto dele.
Veja o trailer
A parte romântica é muito caótica e faz a história ter furos que me impressionaram: são várias atitudes que não tem o mínimo de lógica e momentos que acontecem sem ter o desenvolvimento necessário. A sensação é confiaram na Julia Roberts e no Hugh Grant pra carregar o filme e tirar o foco desse buraco, e o casal funciona. Mas não é sempre. O filme pediu tanto a minha paciência que algumas vezes eu quis que ele passasse mais rápido.
Agora que eu falei da parte irritante do filme, hora de conversar sobre os momentos nos quais eu fiquei "isso foi bem legal" porque eles existiram, e não foram as partes românticas. Gostei de como o peso da fama é abordado, e como as pessoas pensam que uma celebridade "é delas" quando na real ela é alguém que tem problemas, dias ruins e fica pra baixo com a maldade dos comentários.
Ver a Anna Scott (Julia Roberts) navegar entre o mundo da fama e uma realidade mais humana deixou meu coração quentinho. Foi um acerto bem legal. Inclusive teve um momento que eu achei ousado pra um filme de 1999, que é envolver a personagem numa polêmica sobre o corpo da mulher que, infelizmente, continua sendo atual.
Isso me deixou meio melancólica porque eu percebi que Um Lugar Chamado Notting Hill não precisaria ter sido uma comédia romântica. Se fosse um drama sobre como a fama muda a vida das pessoas incluindo a parte do romance, o impacto seria ainda mais profundo.
O outro destaque é óbvio: a Julia Roberts. Uma atriz belíssima e talentosa vivendo uma atriz belíssima e talentosa é suco de metalinguagem, então é fácil pra alguém do nível dela entrar no personagem. Ela entrega uma atuação que eu gostei muito em diversos momentos, exceto esses nos quais nem o roteiro ajuda. Apesar disso ela faz muito bem a parte da celebridade famosa e rica, mas com dificuldade de se conectar às pessoas.
Fazendo um paralelo é como uma criança olhando as outras brincando da janela do quarto. O quarto tem tudo menos a conexão humana das outras crianças correndo descalças atrás da bola.
Assistir Um Lugar Chamado Notting Hill deu muito mais trabalho do que eu esperava, de verdade. Pra fama que esse filme tem eu esperava algo mais amarradinho. Acho um crime que o longa tenha um casal principal tão famoso e um roteiro que não faz jus a ele. O final é muito, muito insatisfatório porque só aí aparece a cena que eu mais gosto e ela dura uns três segundos antes de subirem os créditos. Não me arrependo de ter visto o filme, mas eu também não repetiria a dose.
☕ Este café é pra quem...
Gosta de histórias do tipo "garota rica conhece garoto normal," tem tolerância alta aos absurdos das comédias românticas e capacidade de desligar o cérebro com certa frequência.
📌 SOBRE O FILME
🎬 Título
Um Lugar Chamado Notting Hill (Notting Hill)
🎥 Direção
Roger Michell
🎭 Gênero
Romance • Comédia
📅 Estreia
1999
🍿 Onde assistir
Prime Video •
Netflix •
Telecine
☕ Nota do Café: A disponibilidade dos serviços de streaming foi verificada na data de publicação deste Café Expresso e pode mudar com o tempo.
🎞 Ficha completa
IMDb
CRÉDITOS
Imagens: divulgação






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