O Winamp nunca foi embora de verdade, mas agora quer voltar a ocupar um espaço que já foi seu. E talvez a gente esteja precisando justamente disso.


Tive uma surpresa bacana quando soube que o Winamp está planejando voltar em 2027. Eu soube disso recentemente, embora a notícia seja de uns meses atrás: o Winamp será relançado em parceria com a Deezer e terá o seu próprio serviço de assinatura. O Winamp nunca realmente foi embora, ele ainda existe e tem muita gente que usa. Mas com o tempo o software foi ficando esquecido, fazendo com que esse retorno realmente tenha cara de retorno.

Se você não viveu a era do Winamp, não conheceu um dos momentos mais divertidos da internet dos anos 2000. Ele foi um dos reprodutores de mídia mais populares do mundo que rivalizou com o Windows Media Player e tornou-se uma das opções mais divertidas para ouvir música no auge do MP3. Seu equalizador ficou famoso, mas o que fez história mesmo foi um fator visual: além de ter uma interface bonita, ele possuía uma variedade de skins muito grande, pois era possível personalizá-las.


Por causa disso apareceu de tudo: skin de Warcraft, do Jackie Chan, de Doritos. As minhas favoritas eram as que imitavam outra coisa: uma era um rádio antigo, a outra era uma mistura de DVD player com rádio de carro chamada Winamp Skin by Danny1S. Outra skin que eu amava era a cPro_Bento, uma releitura moderna da interface clássica que é mais sóbria, porém muito bonita.

Além de ter skins que usavam verde neon e laranja sem vergonha, como se não houvesse amanhã, outra coisa legal era a “Llama Whippin' Intro”. Toda vez que você abria o programa ele tocava esse áudio de cinco segundos que dizia "It really whips the llama's ass!", que depois virou o slogan do programa. Resumindo, o Winamp era um VLC com muitas skins.


Mas falando sobre esse retorno, o comunicado oficial diz que a ideia é oferecer a assinatura “juntamente com arquivos locais, rádio pela Internet, podcasts e bibliotecas de música armazenadas na nuvem”. Achei essa escolha de palavras bem específica porque abre dois caminhos diferentes, mas eu vou focar no mais interessante: mudar a forma de consumir áudio.

Nem precisa ser uma mudança revolucionária, nunca vista antes, mas algo que quebre o padrão. Vou te dar um exemplo real: para ouvir música, eu preciso de cinco aplicativos: o streaming de música e quatro apps de rádio. Fora o podcast, que eu ouço direto do site oficial. Essa fragmentação virou normal, o que é loucura porque não faz sentido, é cansativo e deixa a gente maluco. Então imagina fazer tudo isso com um único software?

Para mim, que faço parte da geração que perdeu Winamp, MSN, Orkut e Voxcards, a ideia de uma potencial volta do Winamp é incrível e esquisita. Hoje existe uma obsessão com tudo ser muito clean e arrojado, como se ninguém pudesse mais ser sem vergonha. Então, se der certo - e eu estou torcendo por isso -, será bom demais ter o Winamp de volta. Ele é um dos players de música mais amados de todos os tempos, e o mundo está precisando de um pouco mais de cor.
☕ Fontes e mídias
Imagens: Mezha · Winamp Skin Museum