Hora de meter marcha no Solta o Play com "BOCA", das meninas do Dreamcatcher, uma música cheia de detalhes fascinantes.
Provando que não era fogo de palha temos o segundo Solta o Play, e dessa vez o volante puxa pra algo que talvez você não esperasse eu falando sobre: kpop. A passagem da Hwasa pelo Rock in Rio 2026 abriu um buraco de tatu que trouxe o kpop pra minha vida, o que virou uma das experiências mais bacanas de 2026.Esse é um assunto sobre o qual eu ainda devo falar mais algumas vezes começando com “BOCA,” do Dreamcatcher, uma música que vai na contramão de tudo que eu pensava que o kpop não era. Essa faixa me causou um sentimento parecido com um carro de rali fazendo uma curva super difícil com um drift maravilhoso - se é que isso faz sentido. E assim ela virou uma das minhas descobertas favoritas de 2026.
Primeiro a gente precisa falar sobre o grupo maravilhosamente estranho que é o Dreamcatcher. Uma boa definição pra quem não conhece as meninas é: se em algum momento você gostou de rock ou metal japonês, pode chegar. Mas Bruna, elas não cantam kpop? Cantam. Então elas não cantam metal. Na verdade, cantam. O charme desse grupo é não ter um estilo definido e fazer algo bem estranho com isso.
“BOCA” é fantástica porque a música é formada por três camadas muito específicas: a batida latina, a melodia pop, e sonoridade heavy metal. A parte pop era esperada, mas a batida latina… Não. É o tipo de coisa que eu estou ouvindo aqui e ali nos artistas coreanos, e isso me deixa muito feliz porque sim nobre gafanhoto, o Brasil é América Latina. Agora as guitarras me empurraram pra fora do meu banco emocional, eu caí sentada e pensei “oi?”
Aqui entra a parte estranha: são sonoridades diferentes, mas elas conversam muito bem entre si, não roubam o protagonismo uma da outra e soam 100% como Dreamcatcher. As três são bem costuradas uma na outra pra criar algo ao mesmo tempo dançante, empolgante e que pode clicar com fãs de pop e metal sem muito trabalho.
Como eu sou puxa-saco do som pesado, vamos falar sobre o refrão.
O pré-refrão é bom demais. Ele constrói a expectativa de chegar no refrão ao deixar a melodia mais simples, criando um espaço que é proposital porque dá ainda mais impacto à entrada da guitarra moderna, cujo som fica numa região bem entre Evanescence e Lacuna Coil. O ataque da guitarra é agressivo se você comparar com o que veio antes, mas ainda assim faz sentido.
Mas calma, porque melhora ainda mais em outro detalhe: a letra. Tal como os artistas japoneses fazem, os grupos de kpop se alternam entre o idioma natal e o inglês nas suas letras. “BOCA” tem um detalhe curioso, talvez até acidental, mas que quando você percebe fica incrível: a última palavra antes do refrão é o nome da música, e boca é literalmente… Boca.
E esse nome não é coincidência, pois “BOCA” é parte da trilogia Dystopia, que aborda os efeitos das palavras negativas e dos ataques virtuais, algo que as integrantes do Dreamcatcher viveram na prática. Então o título da música ter exatamente essa posição dentro da letra é muito inteligente mesmo.
Estamos vivendo na linha do tempo na qual a Bruna tá curtindo demais ouvir kpop que esqueceu um pouco do metal - até o metal me acertar na cabeça enquanto dançava música latina. A música é um negócio sensacional.
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Confira a letra da música
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Dystopia: Lose Myself no Spotify
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☕ Fontes e mídias
Imagens: Materiais oficiais do Dreamcatcher
Imagens: Materiais oficiais do Dreamcatcher

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