Review: Dream Theater - A View from the Top of the World


Falar sobre metal progressivo é sempre esquisito pra mim. Eu nunca sei o que dizer, e quando eu digo, a sensação é que eu falei besteira. Mas nunca custa tentar outra vez, tipo hoje. Em 22 de outubro de 2021 o Dream Theater lançou álbum A View from the Top of the World, e ele é... Interessante. Por isso eu vou tentar entender esse negócio junto com você.

A primeira coisa que chama a atenção é como o álbum é uma grande narrativa, algo 100% esperado da banda. Ele tem um lado dark, mas também é positivo. Tem energia, mas também é espirituoso. Num segundo ponto, a sonoridade não foge do que você ouve em outros álbuns, principalmente do Dream Theater (2013), em diante.

Isso é mais legal para os fãs, ou para quem já conhece um pouco o trabalho da banda. Vai tornar a experiência de ouvir o álbum familiar, pescando referências aqui e ali, como a vibe The Looking Glass em Transcending Time. Essa música é um dos pontos altos do álbum com a forte influência AOR e um humor leve, agradável. 

Sleeping Giant segue a mão oposta. Ela é mais pesada e tensa, com umas quebras de ritmo muito boas. O teclado é bem afiado, como em muitos momentos do álbum. A faixa título tem uma introdução que lembra Take the Time nos primeiros momentos. Ela também é a faixa mais longa do álbum, com 20 minutos de duração. Apesar disso o tempo passa até rápido.

O único ponto do álbum com o qual eu não concordo é a ordem dos singles. The Alien foi o primeiro, depois veio Invisible Monster. Se tivesse sido o inverso teria sido melhor, pois Invisible Monster é mais easy listening.

Comentar a eficiência dos músicos do Dream Theater é dizer que a água é molhada. Então eu prefiro focar no vocalista James LaBrie. Ele não tem mais nada a provar para ninguém, mas nesse álbum eu achei curioso como ele veste a camisa do jeito anos 80 de cantar, ainda mais pelo tanto de sons de órgão progressivo que o álbum tem.

Vale a pena ouvir A View from the Top of the World?


Vale, mas com ressalvas, porque o álbum tem no ponto forte o maior defeito.

Ele o talento do Dream Theater em ver a vida através de uma lente fantástica. Com a música a banda cria uma narrativa visual sem esforço, e eu aprendi a gostar disso. O álbum faz jus ao título: dá a sensação de sobrevoar o mundo e ver as partes boas e ruins ao mesmo tempo, o que reflete nos humores diferentes das músicas.

LaBrie & cia não seguem a maré, e exatamente nisso que eles acabam se limitando. Então eu sei que esperava mais do álbum, não deveria. Me contentei em curtir alguma coisa dele. Depois eu esqueci que a banda existe, qualquer hora dessas eu volto a lembrar, bate a vontade aleatória de ouvir umas músicas e segue o jogo.

Quem é fã vai gostar do álbum? Vai. E quem gosta de som progressivo? É possível que sim. E um curioso casual? Não garanto 100%. E quem prefere um som mais acessível? Não. Mas se tiver paciência, recomendo ouvir o álbum completo pelo menos uma vez.

Solte o play no álbum completo


Faixas favoritas: Transcending TimeAwaken the Master

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