Pokémon é aquela franquia estranha, que mesmo tendo um histórico de erros bem polêmicos, diverte, engaja e faz emocionar como poucas conseguem.

Se eu te perguntasse qual é o coração de Pokémon, o que você me diria? Muitos fãs responderiam que são as batalhas e no temos que pegar todos, e tudo bem. São dois aspectos da franquia muito famosos. Mas se eu te dissesse que a alma de Pokémon é a conexão? Batalhas e desafios existem nos jogos e nas outras mídias, mas elas são impossíveis se não tiver um vínculo.


O melhor exemplo de conexão é entre Ash e Pikachu, uma relação que começou difícil e evoluiu para ser uma das coisas mais bonitas da franquia. Tem outros exemplos muito queridos como Cynthia e Garchomp, Dawn e Piplup. Todos eles são amigos dos seus Pokémon, vivendo histórias, crescendo por causa disso. Navegar o mundo com esses amigos é a razão pela qual eu não consigo não me emocionar com Pokémon.

Esquece os problemas dos jogos e pensa comigo. A gente é criança e faz amigos antes de aprender a falar. Ao longo da vida a amizade é um tema constante: melhor amigo, a briga com amigo, os amigos de balada, da faculdade, o amigo que vira crush. Se você tem um pet, ele também é um amigo. Esse gancho é um terreno fértil pra entregarem cenas incríveis nos games e nas outras mídias, como a minha favorita absoluta:


Essa é uma das mais bonitas de Pokémon. Não tem mundo em perigo nem batalha épica. Não tem nem palavras, mas você entende a conversa entre eles. Caterpie está triste, queria evoluir pra Misty não odiar ele. Pikachu, como um bom amigo, ouve, conversa, consola. As vezes é só isso - alguém que escute quando você está pra baixo. Sem julgamento, sem conselho mágico.

É uma cena construída com tanta sensibilidade que me faz chorar até hoje.

Outra cena linda que mostra os dois lados do vínculo - quando um quebra e outro se forma - é a história de origem do Gengar do Ash. O Pokémon foi abandonado pelo treinador antigo, pois ele achava que o Gengar era amaldiçoado. Ele esperou por um treinador que nunca voltou, encontrou Ash e virou um dos monstrinhos mais queridos do seu time.


Em outro momento ele salva o dia ajudando o Banette a encontrar a sua amiga de infância, que era uma das enfermeiras Joy. Pense numa cena emocionante e divertida, porque o Gengar emocionado é uma das coisas mais fofas que você vai ver hoje.


Existem muitas decisões que as vezes tiram o brilho dos lançamentos - olá Pokémon Scarlet e Violet. Mas no final do dia é isso: Pokémon me faz chorar. Não pelas batalhas, elas são ótimas. É pela relação entre treinadores e Pokémon, e entre os monstrinhos também. Elas criam momentos engraçados, emocionantes, que aquecem o coração de um jeito tão bom. Você vira criança de novo, renova o laço com esse universo e fica igual o Giovanni: burro velho e ainda curtindo Pokémon.