Desenvolvedores que pegam a coisa mais dia-a-dia possível e transformam num game interessante tem passagem direta pro céu. De verdade.
Certos desenvolvedores conseguem transformar o cotidiano em algo jogável, as vezes único. Tenho o maior respeito por narrativas grandiosas como as de Elden Ring e The Elder Scrolls - os detalhes, o lore e o world building mexem com meu lado nerd dos detalhes. Entretanto, fazer o "besta" ser interessante é uma coisa que chamam muito a minha atenção há anos.
Quando eu pensei nesse texto, dois jogos me vieram na cabeça, um deles sendo o maravilhoso House Flipper. Nele você trabalha reformando casas fazendo coisas como limpar, pintar paredes, e instalar chuveiros, ganhar dinheiro e melhorar a sua própria casa. É um gameplay meio eletricista, meio faxina, muito divertido mesmo. O outro é PowerWash Simulator, no qual você trabalha limpando locais sujos: casas, parques, pistas de skate. Esse é satisfatório de um jeito terapêutico, lembra o sentimento de ver um carro passando no lava-jato.
Games que trazem esses aspectos do dia-a-dia como parte central da sua mecânica podem envolver uma história, ou serem um jeito de tornar prazeroso fazer coisas que na vida real a gente acha chato. É algo que me encanta, por isso juntei alguns jogos que seguem essa ideia pra você ver como eles a desenvolvem de um jeito gostosinho.
The Last Gas Station - Sobreviver também é bater ponto
Carros elétricos ficaram populares no Brasil, mas eles ainda não são regra porque são caros. Um carro a gasolina já tem o preço salgado. Então The Last Gas Station ganha um sentimento bem real quando ele coloca o jogador como dono de um posto de gasolina e loja de conveniência em um mundo no qual os carros elétricos dominaram tudo. Detalhe: esse posto e a loja ficam no meio do nada.
A mecânica de gerenciamento, que é a vida de um gerente, move o game. Ela te puxa pra conhecer sobre o que é The Last Gas Station. Entretanto, o que faz ficar é isso: criar um lugar aconchegante em tempos modernos, ter conexões com as pessoas. O fato dos desenvolvedores usarem gráficos pixelados pra contar sua história em tempos de hiper-realismo é uma decisão bem interessante.
Roadside Research - Provavelmente não são aliens
Aqui a gente já passa pro humor pastelão, meio episódio dos Looney Tunes, o que te puxa com um riso. Em Roadside Research um grupo de aliens vem pra Terra observar os humanos (primos perdidos do Marvin?). O disfarce que eles arrumam não podia ser melhor: funcionários de um posto de gasolina. Pra entrosar eles fazem coisas como encher prateleiras, abastecer carros, e atender os clientes. Entretanto, o foco deles é obter o máximo de dados sobre esses humanos.
Aí entra a parte Looney Tunes: o disfarce deles são máscaras de papel, coladas na testa com uma fita adesiva. É um jeito bem anos 90 deles se misturarem aos humanos enquanto trabalham no posto e na pesquisa. O game tem opções de customização da máscara pra deixar os aliens mais convincentes, fazendo de Roadside Research um quase spin-off perdido de MIB: Homens de Preto.
Movierooms: Cinema Management - O cinema longe da tela
O streaming existe, mas eu ainda tenho um carinho enorme pelo cinema. Lamento não ter vivido a era do cinema de rua, porque deve ter sido uma experiência especial. O movimento de sair de casa, pegar uma condução e comprar o ingresso para passar 2 horas sentada numa sala escura é algo que cura um buraquinho na minha alma. Eu gosto muito. Movierooms: Cinema Management me chamou a atenção pelo tema, e por esse detalhe: colocar o jogador longe da tela.
Diretores, atores e celebridades do cinema desapareceram e apareceram em épocas diferentes. Você precisa convencer eles a voltarem, senão seus filmes vão sumir para sempre. Com ajuda do Gaspar, uma estatueta estilo Oscar você monta um cinema de rua do zero e administra o local, salvando a indústria cinematográfica. O tycoon torna as decisões estressantes do dia-a-dia em algo engajador, acendendo a criatividade do jogador.
Games que transformam o cotidiano em gameplay fazem isso de diferentes maneiras. PowerWash Simulator hipnotiza o jogador com o padrão viciante de ver a sujeira sendo limpa. Firewatch segue a história de um guarda florestal, aposta na emoção e cria uma das histórias mais bonitas que eu já vi. Não é o tipo de coisa que funciona como um rótulo, tipo "RPG" ou "jogo de luta." Mas eu bem que apoiaria a criação de um gênero pra eles. No meu coração faz sentido.






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