Os shooters dos anos 2000 fizeram história com uma linguagem bem específica, e estes games decidiram se inspirar nesta era tão icônica.
A chegada dos gráficos 3D causou um grande impacto na indústria dos videogames no final dos anos 90 e no começo dos anos 2000. Essa tecnologia deu aos estúdios novas possibilidades, como outras dinâmicas para os games de luta (Virtua Fighter, Dead or Alive), e plataformas contando histórias ainda mais divertidas (Banjo-Kazooie, Ocarina of Time). A mudança também alcançou os jogos de tiro, que ganharam novos recursos empolgantes.
De repente o movimento deixou de ser apenas lateral estilo Metal Slug. Os mapas ficaram maiores e os veículos viraram presença constante, uma vez que o 3D permitiu criar estes mundos com maior profundidade. Apesar de ficarem mais modernos, os shooters dos anos 2000 encontraram um equilíbrio marcante entre quando mergulhar o jogador na ação, e quando dar um momento para respirar. Nomes como F.E.A.R. e Halo: Combat Evolved viraram os "pais" da linguagem que marcou inúmeros jogadores.
Décadas depois, alguns desenvolvedores independentes revisitaram os shooters anos 2000, usando essa linguagem visual e mecânica tão marcante em tempos ainda mais modernos.
SPRAWL zero
FPS cheio de referências bem legais
A primeira vista SPRAWL zero não tem nada revolucionário, o que ainda assim não o torna menos interessante. O FPS da MAETH usa o plano geral para mostrar a cidade de um jeito clássico dos anos 2000 em shooters e games tipo Spider-Man de PS2 ou mesmo Mirror's Edge. (É um dos meus detalhes de game design favoritos) O ritmo das batalhas é menos frenético, embora rápida, e escolhas de design puxam para o visual dessa época - o contador de balas da pistola remete às skins Stattrak de Counter-Strike; a mecânica de segurar e arremessar coisas remete a Gravity Gun de Half-Life 2.
Um game assim anda na fina linha entre a inspiração ou homenagem, ou ser uma imitação dos clássicos e não ter identidade. SPRAWL zero parece ser o primeiro caso, pois a página da Steam enfatiza que ele é baseado nos shooters dos anos 2000 como F.E.A.R. e Halo, e no Y2K, uma estética que marcou a moda e cultura do final dos anos 90 até meados dos anos 2000. Pense em "Oops!... Did it Again," por exemplo. Então o jogador chega sabendo o que esperar.
A trama de uma cidade em colapso sob regime militar e fanatismo é tudo menos original, é verdade. Mas é menos culpa do jogo e mais uma consequência da cultura pop, porque ela é um tipo de espinha dorsal do gênero de ação.
Andromis
Shooter em terceira com potencial e pontos a melhorar
Mesmo não sendo donos da tecnologia 3D, é impossível olhar Andromis e não pensar em Battlefield ou GTA San Andreas. O shooter em terceira pessoa da Andromis Games é outro projeto inspirado pelos jogos de tiro dos anos 2000, embora existam algumas diferenças fundamentais em relação ao que você vê em SPRAWL zero. Existe um ponto em comum, entretanto, que é a ação cadenciada - sem aquela dinâmica de que você morre se não virar em 0.5 segundos.
O trailer apresenta um tanque de guerra, um carro e uma grande cidade - fazendo você pensar que as 50 missões prometidas devem ter algo como cenários em 365º e destruição em massa. É uma combinação que Battefield tornou bastante popular. Novamente, o game não tem uma premissa original: salvar uma cidade em colapso por causa das máquinas fora de controle. Mas é outro tema clássico da narrativa de ação - Exterminador do Futuro, Matrix e por aí afora.
Aqui fica uma observação e uma crítica. A observação é de que Andromis, do jeito que se apresenta na Steam, indica estar nos estágios bem iniciais. Compreensível, o game não tem data de lançamento até o momento. A crítica é que eu realmente gostaria de que a página do game na Steam tivesse mais informações. Sem um argumento escrito sólido do porque o seu game importa, o jogador às vezes acaba perdendo o interesse.
Revisitar os shooters dos anos 2000 é uma decisão interessante em tempos nos quais a indústria alterna entre o medieval fantástico e o cyberpunk distópico. Além de ser uma linguagem conhecida e popular, essa escolha diz outra coisa sobre SPRAWL zero e Andromis: nem todo game precisa reinventar a roda. Às vezes é lembrar o que fez uma época funcionar - e trazer o espírito de volta para uma nova geração de jogadores.
Créditos das imagens
- Foto 1: MAETH / Steam
- Foto 2: Andromis Games / Steam





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