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| Comecei a assistir a PWHL, a liga norte-americana de hóquei feminino, uma decisão tão boa que eu precisei escrever sobre isso (Créditos: PWHL) |
A Olimpíada de Inverno de Milão Cortina me fez tomar uma séria decisão: assistir a PWHL. Foi um choque de várias perspectivas diferentes ao mesmo tempo. Primeiro, adorei ver as mulheres jogando hóquei. Mas quando a poeira baixou eu fiquei pera, mas como elas jogam em seleção se não tem uma liga? Foi o primeiro pensamento que eu tive e oh, nunca fiquei tão feliz de estar errada. Existe sim essa liga, e eu estou chocada de só descobrir agora.
Um breve contexto
| Minnesota Frost levantando a primeira Walter Cup, o título da PWHL (Créditos: PWHL) |
A Professional Women's Hockey League nasceu em 2023, após décadas das mulheres lutando para terem o seu espaço no gelo reconhecido. A disputa começou com seis times e hoje tem oito: pelo Canadá são Montreal Victoire, Ottawa Charge, Toronto Scepters e Vancouver Goldeneyes; pelos EUA são Boston Fleet, Minnesota Frost, New York Sirens e Seattle Torrent. O Minnesota Frost venceu o título das temporadas 2023-24 e 2024-25.
Tanta coisa boa pra entender ao mesmo tempo!
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| A torcida mirim é uma presença constante nos jogos, como não amar? (Créditos: PWHL) |
O choque de saber que a PWHL existe foi grande, mesmo sendo óbvio. Se existem atletas olímpicas de hóquei é porque elas competem em algum lugar, né? Mas o cérebro é um bicho esquisito, e pensa que se a mídia não mostra, quer dizer que não não existe. Depois eu soube que as partidas são transmitidas de graça pelo canal oficial da liga no YouTube. Depois de anos com a ESPN transmitindo a NHL no Brasil, foi ótimo ter sido pega de surpresa de novo. Se é de graça e pelo YouTube, qual é a desculpa pra não assistir? Nenhuma.
A primeira vez é mágica... Literalmente
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| A galera do Seattle Torrent falando a real (Créditos: Seattle Torrent) |
Entretanto, embora os jogos sejam muito bons, não foi só isso que me pescou. A transmissão em si fez eu ficar hm do jeito bom. Isso é raro, porque eu sou muito chata nesse quesito. A geração de imagens captura muito mais o som da arena, então o clack clack dos sticks é mais alto do que na TV. Ela registra melhor o clima do público e as vezes dá até pra ouvir as músicas que estão tocando, como quando teve "Opalite" da Taylor Swift.
A narração é obviamente em inglês, e meu cérebro tem um limite do que consegue entender em tempo real. A solução foi simples: eu desliguei a parte dele que queria ouvir a narração junto com entender as partidas. Foquei na parte de sentir felicidade em ver mulher jogando hóquei na liga profissional delas. Essa linguagem não precisa de tradução nem legenda, então tá tudo certo.
Tem um detalhe além do jogo
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| Ainda não tenho time pra torcer. Só quero me divertir vendo as minas jogando (Créditos: PWHL) |
Enquanto eu adorei a experiência de assistir a PWHL pela primeira vez, o que me deixou interessada não foi só a competição em si, que já tinha me agradado ainda nas Olimpíadas. Percebi que existe uma comunidade muito engajada em torno dessa liga, e que os organizadores alimentam esse sentimento. Me fez lembrar de algo que eu gostava muito - a Capcom Pro Tour.
Eu adorava assistir o circuito profissional de Street Fighter porque é o meu jogo de luta favorito, e porque a FGC, os fãs de jogos de luta, têm essa mesma energia. São pessoas engajadas, divertidas, que criam mais uma sensação de comunidade do que fandom. São fãs de jogos que, apesar de conhecidos, às vezes precisam lutar por um espaço no qual League of Legends e Counter-Strike 2 não precisam.
Isso conversa demais com a PWHL porque é uma liga composta por atletas talentosas, uma comunidade interessada, mas que precisou lutar para chegar no ponto que está. Nesse primeiro contato eu vi vários comentários acolhedores, divertidos, tietando as suas jogadoras favoritas, fazendo memes. Uma garota até recomendou baixar o PWHL Fan, um app que salva demais pra acompanhar a liga.
Uma nova fã não só do esporte
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| Marie-Philip Poulin é um dos maiores ícones do hóquei feminino, e ela joga na liga. (Créditos PWHL) |
A PWHL ganhou uma fã que não entende metade das regras do hóquei no gelo além do básico: puck na rede é gol. Mas também ganhou uma pessoa apaixonada em ver mulheres brilhando, público feminino nos jogos, e até mesmo os caras usando as camisas das garotas. A camisa do Montreal Victoire, por exemplo, é maravilhosa. Deus abençoe quem descobriu e popularizou o off-white. Eu não conheço bem a história do hóquei feminino antes disso, mas a primeira impressão foi mais do que positiva.
Pra não ficar só na minha prosa, vou deixar os melhores momentos de Boston Fleet e Ottawa Charge, a partida mais legal das que eu assisti:
E esse vídeo maravilhoso do Professor Puck explicando o básico do hóquei:







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