Review: Arch Enemy - Deceivers


O Arch Enemy lançou o dia 12 de agosto o novo álbum Deceivers. Produzido por Jacob Hansen, que já trabalhou com bandas como HammerFall, Delain e Epica, este é o 11º álbum dos suecos, o terceiro com a vocalista Alissa White-Gluz. Mas se em pleno 2022 você ainda pensa se vale a pena ouvir death melódico, a resposta é sim, e bastante.

Quando o assunto é explorar a sua própria fórmula, o metal sueco é eficiente do jeito que outros países não conseguem. Deceivers tem 11 faixas e é um absoluto quebra-pescoço do começo ao fim, com umas poucas passagens mais calmas. No geral é uma sequência de pedradas, seja com a bateria raivosa, ou as guitarras frenéticas.

Se gosta de death melódico, Deceivers tem muita coisa para mastigar. O álbum não economiza um som mais thrash metal, e melodias mais melódicas, que grudam na sua cabeça (ex: One Last Time) Tem muitas escolhas de tempo, notas e tom típicas do "som de Gotemburgo", que você ouve em bandas suecas como Soilwork, In Flames, Sonic Syndicate e Scar Symmetry.

Pudera. Michael Amott, líder do Arch Enemy, sempre conduziu as guitarras com uma eficiência famosa. Agora (digo, desde 2014) ele ganhou o reforço de outro gigante: Jeff Loomis, ex-Nevermore. Em Deceivers os dois brincam de explorar o limite da guitarra, seja no quão rápido ela vai, ou em quão grudento é os ganchos que eles fazem.

Daniel Erlandsson dita o ritmo das músicas atacando a bateria sem pena, e tem dias que é exatamente isso o que você quer ouvir. Me fez lembrar do Alex Bent do Trivium, outro ótimo batera. O baixista Sharlee D'Angelo adiciona uma camada de groove que deixa o álbum redondinho.


E o que dizer da grande estrela do álbum? 

Alissa White-Gluz faz tanta coisa que a gente precisa dividir a análise em duas partes. Primeiro, ela mostra zero dificuldade para entregar um gutural e voz limpa de alta qualidade, sem perdas na hora de alternar entre um e outro. PS: o Arch Enemy não ter "medo" de usar a voz limpa da Alissa é uma alegria enorme, porque ela é linda.

Segundo, seu gutural é muito versátil mesmo. É bem comum você não entender o que um gutural diz, o que não acontece com a Alissa porque a dicção dela é perfeita. Seu gutural é agressivo, melodioso e "assustador". 

Não ouço Arch Enemy sempre, e eu prefiro a banda com a Alissa. Mas quando esses momentos acontecem, não é desperdício de tempo - pelo contrário. Deceivers é um tumulto organizado, com uma pitada de orquestrações que tornam o álbum numa ótima saída da pandemia, e um dos melhores de 2022.

Faixas favoritas: Handshake With Hell, The Watcher e Sunset Over the Empire


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