Cleared Hot e Obey the Insect God olharam para os anos 90 e encontram exatamente o que muitos games modernos perderam: personalidade.

Quando eu penso na minha era favorita dos videogames a resposta é fácil: os anos 90. Foi quando eu ganhei o meu primeiro console (Mega Drive), descobri Streets of Rage, um dos meus games favoritos, e o meu amor pelos games de plataforma. A década de 90 tem um estilo de arte, mecânicas e energia tão específicos que faz ela ser uma das mais amadas com toda justiça.

Então eu sempre ficou muito feliz quando os desenvolvedores usam esse momento da indústria como inspiração para os seus projetos, como foi o caso de Cleared Hot e Obey the Insect God. Seus desenvolvedores pegam diferentes aspectos dos anos 90 como base, criando projetos que chamam a atenção de um jeito irresistível para os gamers veteranos, e para os mais novos com a curiosidade por algo fora da curva.


Cleared Hot
O retorno do caos arcade dos anos 90


Cleared Hot é sensacional, pois tem a alma de uma das trilogias que eu mais curti na infância - Desert, Jungle e Urban Strike. Essa trilogia ficou famosa por ser muito difícil de zerar, e eu confirmo porque joguei muito Desert Strike e nunca fechei o game. Pelo contrário: eu passei uma raiva enorme com os controles do helicóptero e pra resgatar as pessoas que nunca paravam no mesmo lugar.

A Not Knowing Corporation capturou perfeitamente a ideia do shooter nostálgico com helicópteros. Minha parte favorita é quando ele desvia dos mísseis e destrói tanques de combustível, pois são as partes do gameplay de Desert Strike que eu mais gostava. Mas é importante notar: Cleared Hot não é uma cópia, e sim um sucessor espiritual da série Strike. Ele tem até uma diferença que eu adorei: uma corda. Com ela é possível fazer coisas como carregar um container e jogar nos inimigos, ou "agarrar" um míssil e lançar ele de volta em quem atirou. 

Curiosidade: pra ficar ainda mais nostálgico, quem publica Cleared Hot é a MicroProse, a mesma publisher de F-15 Strike Eagle, trilogia de games lançada entre 1985 e 1993.



Obey the Insect God
Fantasia finlandesa com visual à la Mortal Kombat


Nume era na qual os games perseguem o hiper-realismo, Obey the Insect God volta às origens e usa uma técnica clássica dos anos 90: fazer sprites a partir de vídeos e fotos digitalizados. Sabe quem fazia isso no começo? Mortal Kombat. Essa técnica deixa o plataforma 2D muito interessante, pois apesar de ser uma trama sobrenatural e com poderes, o combate é com pessoas de verdade - literalmente.

Os cenários também são digitalizados da mesma forma, e são a minha parte favorita. Eles tem uma vibe meio surreal, cheia de alto contraste, uma bagunça organizada que faz muito sentido. Se isso é bom, fica ainda melhor: Obey the Insect God é dublado e guarda uma surpresa na história. Ela é inspirada na mitologia finlandesa, em especial o Kalevala, o famoso poema épico. Essa escolha é fantástica por 2 motivos: foge do clichê da mitologia nórdica e celta, e eu adoro a mitologia finlandesa.

(Valeu, Amorphis, por me apresentá-la através das suas músicas)


Chega ser quase um paradoxo como Cleared Hot e Obey the Insect God são games baseados em ideias conhecidas e ao mesmo tempo refrescantes. E esse tem sido o grande trunfo da indústria indie durante anos: criatividade. São escolhas que às vezes nascem para contornar o orçamento ou equipe menor, mas muitas vezes são escolhas conscientes, resultando em ideias bem malucas que a Pessoa que Vos Fala™ adora.

Créditos das imagens
  • Materiais oficiais dos jogos mencionados