Quem faz o Café Nerd também precisa sentar à mesa. Na estreia da Mesa Reservada, a convidada sou eu.

Mesa Reservada é o espaço do Café Nerd para conversas que vão além do assunto que trouxe cada pessoa até aqui. É onde a gente puxa uma cadeira, deixa a conversa acontecer e conhece um pouco mais de quem está do outro lado.

E, antes de convidar qualquer outra pessoa pra nossa mesa, pareceu justo começar por quem faz o Café. Afinal, se a ideia é conhecer as pessoas que fazem parte da cultura pop, não teria outro jeito de começar senão apresentando a Pessoa que Vos Fala™ quase todos os dias.

Antes de tudo... quem é a pessoa por trás do Café Nerd?

Eu sou a Bruna, a Pessoa que Vos Fala™ quase todo dia no site. Me formei em publicidade já ciente que eu ia acabar trabalhando com jornalismo porque tem coisas nas duas áreas que eu gosto muito e odeio absurdamente. Como pessoa que gosta de cultura pop, eu sou uma criança grande da era Manchete que adora jogos independentes e retrogaming.

O Café Nerd nasceu em 2022. O que mais mudou na forma como você enxerga o site desde então?

O propósito do site. Ele nasceu para ser um portal de notícias depois que o meu projeto anterior foi banido do Facebook devido a um falso positivo. Mas aconteceu tanta coisa até o site ficar 100% no meu controle que eu decidi dedicar mais espaço aos indies. Aí com a minha demissão do Game Rant em 2025 eu vi que transformar o Café numa revista digital, e algo bem diferente da ideia de 2022, estava mais próximo de mim do que eu imaginava.

Então hoje eu vejo o Café Nerd não como um acúmulo de breaking news que você encontraria em outros 50 sites. Isso é válido pra outras pessoas, não pra mim. O site é, pra mim, uma chance para trazer de volta a sensação que eu tinha lendo as revistas de cultura pop e games dos anos 90. Recreio, Atrevida e Super Game Power. Era algo bacana, sabe? Tinha personalidade, era divertido demais. Mesmo as revistas de horóscopo do João Bidu eram uma experiência diferenciada.

Você fala de jogos, filmes, séries, música e esportes. Existe um fio que une tudo isso?

Sim, que é mostrar o lado humano da cultura pop. Nos últimos 15 ou 20 anos a cultura de performance atingiu o auge e isso é péssimo. Se você diz que gosta de um artista, uma franquia de filmes ou de um jogo, tem que saber tudo a respeito, ter opinião formada sobre todos os assuntos. Aconteceu isso bastante no auge do MCU por causa da ordem dos filmes, as referências, os cameos de personagens e etc. Quando eu era mais nova isso parecia incrível, mas a medida que eu fui crescendo, comecei a achar extremamente estressante e chato.

O “fandom” transformou curtir as coisas em guerra social e quem mais perde é quem quer simplesmente curtir coisa A ou B em paz. Então o Café Nerd serve como esse espaço pra você puxar uma cadeira pra sentar e ter cinco minutos na internet sem uma briga de 50 tweets. Pode ser pra curtir uma notícia, um review ou um dos meus vários artigos malucos sobre MPB, ginástica artística ou games indies inspirados em jogos dos anos 90. Silvio Santos já dizia que do mundo não se leva nada, então vamos curtir as coisas em vez de brigar por causa delas.


Você costuma dar bastante espaço para jogos independentes. O que faz um projeto chamar sua atenção?

Ter algo que me faça dizer hm. Existem muitos jogos independentes que são bacanas ou interessantes e isso é 100% válido. Todos os dias eu recebo dezenas de e-mails divulgando títulos novos ou que eu já conheço, fora as descobertas que eu faço pelas redes sociais. Amo os indies de coração, mas é uma avalanche de informação pra mim que trabalho no Café Nerd sozinha, e pra nova filosofia do site de publicar com mais propósito e menos volume.

Então pra um jogo independente conquistar o meu tempo, ele precisa ter um gancho na história, mecânica, trilha sonora, qualquer coisa que explique pra mim mesma porque eu dediquei um artigo inteiro a ele. Não tem nada pior do que escrever um texto só pra cumprir tabela, olhar pra ele e pensar "ugh, eu odiei isso." É uma coisa que rouba 10 anos da sua expectativa de vida.

De onde nasce uma pauta no Café Nerd?

Independente da editoria, primeiro precisa passar pelo meu filtro. E o meu filtro agora tem uma coisa que não tinha antes: aprender a dizer não. Querer cobrir foi um dos meus maiores problemas como jornalista independente, e algo no qual eu aprendo todos os dias a colocar em prática. Parece uma coisa que limita, mas eu vou te dizer: dessa limitação nasce uma liberdade enorme.

Depois é identificar em qual caixa uma pauta se encaixa melhor. Já tive casos onde um jogo era pra ser um Café Expresso e no fim ele encaixou melhor como Radar Games. Ou um jogo que era pra ser Radar Games e tinha um tema mais interessante que valia fazer um Panoramas sobre ele. Esse processo é tipo uma dança, uma sensibilidade que eu tenho aprendido no dia-a-dia, então não tem uma fórmula pronta.

"Silvio Santos já dizia que do mundo não se leva nada, então vamos curtir as coisas em vez de brigar por causa delas."


Existe alguma matéria que você ainda sonha em publicar?

Existe. Tenho algumas ideias de pautas sobre a internet dos anos 2000 que os marmanjos da minha idade vão adorar - o auge do Baixaki e das bancas de jornal, Voxcards, o quão incríveis eram os cartões telefônicos. A tecnologia e a internet dos anos 2000 eram limitadas, mas essa é uma das minhas épocas favoritas porque tem um charme que é literalmente "ai Gabi, só quem viveu sabe."

Tenho também uma lista com 20 músicas de mesmo nome, mas que são de artistas totalmente diferentes. Tem umas coisas malucas tipo tipo “Death by a Thousand Cuts” que é uma música do Bullet For My Valentine, mas também é uma música da Taylor Swift. Eu adoraria publicar pelo menos uma parte dessa lista, pois sempre que eu penso em soltar ela completa, acabo lembrando ou descobrindo mais uma música e ela nunca vê a luz do dia.

O que você espera que alguém leve consigo depois de fechar uma página do Café Nerd?

Um momento de respiro, pois a internet pós-2010 tá andando rápido demais e o sempre online não é tão bom quanto parece. Os portais de notícias te empurram um caminhão de notícias todos os dias: é anúncio, patch notes, polêmica, trailer novo, quem deixou de seguir quem no Instagram. As redes sociais te empurram um monte de opiniões e brigas que as vezes dá vontade de gritar "gente, vocês sabem fazer outra coisa além de arrumar treta?" 

Sem falar que a inteligência artificial mudou pra sempre o jeito de fazer comunicação.

Então eu quero que quem acessar o Café Nerd pra ler um texto tenha cinco minutos de descanso. E quando a pessoa fechar a página, que sinta que esses cinco minutos valeram a pena. Se esse texto fizer o leitor lembrar de uma memória feliz, criar um sorriso ou pensar "caramba, maneiro esse jogo que ela me apresentou," eu cumpri a minha missão.

"Não tem nada pior do que escrever um texto só pra cumprir tabela, olhar pra ele e pensar 'ugh, eu odiei isso.'"


Agora que a mesa está pronta, quem você gostaria de convidar para sentar nela no futuro?

Eu ficaria listando gente aqui por dias. Entretanto, dois nomes que me vem logo na cabeça são a Tarja Turunen e a Floor Jansen.

A Tarja é uma lenda viva. É uma das cantoras que popularizou o metal sinfônico com o Nightwish, e ela faz essa dança entre metal/rock e música clássica com a qualidade e um carisma que pouca gente tem. Ela é esposa e mãe e tem a experiência de uma vida entre dois países que geralmente não associa juntos - ela é finlandesa e o marido é argentino.

A Floor também é um ícone do metal sinfônico que ajudou o gênero a ser um dos mais populares nos anos 2000 junto com o After Forever. Ela também é mãe e esposa, mas tem uma história que me pega mais no pessoal: o burnout do qual ela sofreu há anos atrás. Eu já tive burnout, mas de menores dimensões. Então eu acho que a gente teria uma conversa interessante.


Pedido da Casa

Perguntas rápidas antes de pedir a conta.

🍿 Cultura pop

Um jogo
Streets of Rage. Além de ser um jogo excelente, tenho várias memórias dele as quais eu guardo com muito carinho.

Um console
Mega Drive. Foi o meu primeiro console e o responsável por hoje eu adorar jogos de plataforma.

Um personagem
Vegeta. Se você tirar o contexto “anime de lutinha,” o Vegeta é um personagem muito complexo com o qual eu me identifico bastante.

Um vilão
Owen Davian, de Missão Impossível 3. Graças a ele existe o meu filme favorito da franquia.

Um estilo de arte que sempre chama sua atenção
Rubber Hose ou qualquer estilo cartunesco. Me lembra que eu cresci assistindo Sábado Animado, TV Globinho e o Cartoon Network clássico.

Um filme
O Guarda-Costas. Tem drama, romance, suspense, um pouco de humor e uma excelente trilha sonora. Já assisti mais de 20 vezes.

Uma série
24 Horas. Uma das melhores produções da era de ouro das séries policiais. Assisti todas as temporadas.

Um livro ou HQ
Comer, Rezar, Amar. Conheci esse livro da forma mais acidental possível. A mensagem de auto descoberta era exatamente o que eu precisava na época.

Um álbum
The Unforgiving, do Within Temptation. É um álbum incrível, do tipo que não dá vontade de pular nenhuma faixa.

Um artista ou banda
Phil Collins. Ter conhecido o trabalho do Mestre no Genesis (e depois solo) me deixou apaixonada pela música como forma de arte.

Uma trilha sonora de jogo
Empate entre Streets of Rage e Ocarina of Time. Foram as trilhas sonoras mais marcantes da minha infância e adolescência.

🎧 Preferências

Café ou chá?
Chá. Camomila e morango são os meus favoritos. Bebo café ocasionalmente, tipo quando vou ao salão.

Manhã ou madrugada?
Madrugada. Meu cérebro sempre funcionou melhor depois que todo mundo vai dormir.

Indie ou AAA?
Indie. Tenho carinho por algumas franquias AAA tipo Pokémon, mas muito da minha atenção sempre foi pros projetos independentes.

Pixel art ou 3D?
Pixel art. Eu gosto do 3D quadradão da época do Nintendo 64, mas algumas das minhas memórias favoritas vem de jogos com pixel art.

Jogar com música ou ouvindo o próprio jogo?
Depende. Quando é a primeira vez eu gosto de ouvir só o jogo, caso contrário eu prefiro ouvir música.

Escrever notícia ou texto especial?
Texto especial. Estou me tornando uma pessoa melhor a medida que eu aprendo um novo jeito de escrever artigos.

Planejamento ou inspiração do momento?
Planejamento. Não tem como a inspiração fluir naturalmente se você não tiver uma base sólida pra ela se apoiar.

☕ Café Nerd

Uma editoria favorita do site
O Pingado. A evolução dele ao longo dos meses é algo que me orgulha tanto quanto o nascimento da Retrô anos atrás.

Uma matéria que te deu orgulho
O artigo sobre saúde mental e a história da Alysa Liu. Eu não a conhecia, menos ainda tudo pelo qual ela passou. Fiquei impressionada.

Um sonho para o Café Nerd
Que o site se torne uma boa companhia pro leitor. Tal como as revistas de antigamente eram pra gente, do tipo que a gente guardava elas com carinho.

Uma palavra que resume o Café Nerd hoje
Amadurecimento. Mudar a minha perspectiva sobre cultura pop mudou pra melhor o site e eu mesma.